Quanto padeceu ela no longo período de
18 anos que viveu com seu esposo! Não tem conta as vezes que bebeu o
cálice da amargura até a última gota; incontáveis os atos de paciência e
resignação que praticou, as lágrimas ardentes que derramou... Injuriada
sem motivo, não tinha uma palavra de ressentimento; espancada, não se
queixava e era tão obediente que nem à Igreja ia sem a permissão de seu
brutal marido.A mansidão, a docilidade e prudência da esposa, porém,
suavizaram aquela rude impetuosidade, conseguindo transformar em manso
cordeiro aquele leão furioso.
Com que eloqüência ensinava às suas vizinhas casadas o modo de manter a
paz e a harmonia com seus esposos.
Elas, admiradas por nunca terem visto divergências em casa de Rita, iam
com freqüência consolar-se com ela e expor os dissabores e ultrajes que
recebiam de seus maridos.
À imitação de Santa Mônica, Rita lhes respondia: "lembrai que, desde o
momento em que recebemos nossos esposos, como maridos, os aceitamos como
nossos donos e senhores, e assim lhes devemos amor, obediência e respeito,
pois isto significa ser casadas! Notai que não tem menos culpa a mulher
que fala mal de seu marido do que o marido que, com incorreto proceder, dá
ensejo à mulher para que fale mal". Por isso, não permitia que em sua
presença se murmurasse dos defeitos alheios. Por este meio conseguiu
desterrar de muitos o péssimo costume de falar mal dos outros.
Encontrou sua fortaleza em Jesus Cristo, em uma vida de oração, sofrimento e
silêncio.
Tiveram dois gêmeos, os quais tiveram o temperamento do pai.
Rita se preocupou e orou por eles.
Depois de vinte anos de Matrimônio e oração por parte de Rita, o esposo se
converteu, lhe pediu perdão e lhe prometeu mudar sua forma de ser.
Rita perdoa e ele deixa sua antiga vida de pecado e passava o tempo com Rita nos
caminhos de Deus.
Isto não durou muito, porque enquanto seu esposo havia se reformado, não foi
assim com seus antigos amigos e inimigos
Uma noite Paolo não chegou em casa.
Antes de sua conversão isto não teria sido estranho, mas no Paolo reformado isto
não era normal.
Rita sabia que algo havia ocorrido.
No dia seguinte, o encontraram assassinado.
Sua pena foi aumentada quando seus dois filhos, que eram maiores, juraram vingar
a morte de seu pai.
As súplicas não conseguiram dissuadi-los.
Foi então que Santa Rita, compreendeu que, mais vale salvar a alma que viver
muito tempo, rogou ao Senhor que salvasse as almas de seus dos filhos e que
tirasse suas vidas antes que se perdessem para a eternidade por cometer um
pecado mortal.
O Senhor respondeu a suas orações.
Os dois padeceram de uma enfermidade fatal.
Durante o tempo de enfermidade, a mãe lhes falou docemente de amor e do perdão.
Antes de morrer conseguiram perdoar aos assassinos de seu pai.
Rita esteve convencida de que eles estavam com seu pai no céu.
Entrada na Vida Religiosa
Ao estar sozinha não se deixa vencer pela tristeza e pelo sofrimento.
Santa Rita quis entrar no Convento com as irmãs Augostinianas, mas não era fácil
conseguir.
Não queriam uma mulher que havia estado casada.
A morte violenta de seu esposo deixou uma sombra de dúvida.
Ela se voltou de novo a Jesus em oração.
Ocorreu então um milagre.
Uma noite, enquanto Rita dormia profundamente, ouviu que a chamavam: Rita, Rita,
Rita!
Isto ocorreu três vezes, a terceira vez Rita abriu a porta e ali estavam São
Augustinho, São Nicolau de Tolentino e São João Batista de qual ela havia sido
devota desde muito menina.
Eles lhe pediram que os seguissem.
Depois de correr pelas ruas de Roccaporena; No pico de Scoglio, onde Rita sempre
ia orar sentiu que a levantaram no ar e a empurravam suavemente.
Encontrou-se acima do Monastério de Santa Maria Madalena em Cássia.
Então caiu em êxtase.
Quando saiu do êxtase se encontrou dentro do monastério embora todas as portas
estivessem trancadas, ante aquele milagre as monjas Augostinianas não puderam
negar-lhe entrada.
É admitida e faz a profissão esse mesmo ano de 1417, e ali passa 40 anos de
consagração a Deus.
Mais provas
Durante seu primeiro ano, Rita foi posta a prova não somente por suas
superioras, senão pelo mesmo Senhor.
Foi-lhe dado o passagem da Escritura do jovem rico para que meditasse.
Ela sentia em seu coração as palavras!
Um dia Rita foi posta a prova por seu Madre Superiora.
Para colocar à prova a obediência da noviça, a superiora do convento ordenou-lhe
que regasse de manhã e à tarde um galho seco, provavelmente um ramo de videira
ressequido e já destinado ao fogo. Rita não ofereceu dificuldade alguma, e de
manhã e de tarde, com admirável simplicidade, cumpria essa tarefa, enquanto as
irmãs a observavam com irônico sorriso. Isso durou cerca de um ano, segundo
certas biografias da santa.
Rita o fez obedientemente e de boa maneira.
Uma manhã a planta se havia convertido em uma videira com flores e deu uvas que
se usaram para o vinho sacramental.
Desde este dia segue dando uvas.
Amor à Paixão de Cristo
Rita meditava muitas horas na paixão de Cristo, meditava nos insultos, os
desprezos, as ingratidões que sofreu em seu caminho ao Calvário
Durante a Quaresma do ano 1443 foi a Cássia um pregador chamado Santiago de
Monte Brandone, quem deu um sermão sobre a paixão de nosso Senhor que tocou
tanto a Rita que a seu retorno ao monastério, pediu fervorosamente ao Senhor ser
participante de seus sofrimentos na Cruz.
Dum modo especial exercitava-se na contemplação dos mistérios da Paixão e Morte
de Jesus; a tanto chegou o seu amor na consideração das dores de Jesus que, um
dia, prostrada aos pés do Crucificado, pediu amorosamente ao Senhor que lhe
fizesse sentir um pouco daquela imensa dor que ele havia sofrido pregado na
cruz. Ó prodígio!
Da coroa que cingia a cabeça da imagem do Redentor, desprendeu-se um espinho,
que se cravou na fronte da Santa, causando-lhe intensíssima dores até à morte; o
penhor do amor de Jesus por sua serva não podia ser mais certo nem mais
extraordinário; era um tormento indizível para acrisolar a virtude de Rita.
Aquela ferida era, na verdade fonte de celestiais doçuras para a Santa, mas, ao
mesmo tempo, de desgosto para as religiosas que não podiam suportar a vista
daquela repugnante ferida, vendo-se, por esse motivo, obrigada a viver isolada
de suas amadas irmãs.
A Santa aceitou isto como um novo favor do céu, ficando, assim livre para tratar
mais intimamente com Deus. Ali redobrou as suas penitências, os seus jejuns e as
suas orações, esforçando-se em unir-se mais estreitamente com Jesus, seu
celestial esposo.
A maioria dos santos que tem recebido este dom, exalam uma fragrância celestial.
As chagas de Santa Rita, sem dúvida exalavam um odor pútrido, pelo que devia
afastar-se das pessoas.
Por 15 anos viveu sozinha, longe de suas irmãs monjas
O Senhor lhe deu uma trégua quando quis ir a Roma para o primeiro ano Santo.
Jesus removeu o estigma de seu cabeça durante o tempo que durou a peregrinação.
Tão pronto quanto chegou de novo a casa o estigma voltou a aparecer e teve que
se afastar de novo das irmãs.
Em seu vida teve muitas chamadas, mas ante tudo foi uma mãe tanto física como
espiritualmente.
Quando estava no leito de morte, lhe pediu ao Senhor que lhe desse um sinal para
saber que seus filhos estavam no céu.
A meados de inverno recebeu uma rosa do jardim perto de sua casa em Roccaporena.
Pediu um segundo sinal.
Esta vez recebeu um figo do jardim de sua casa em Roccaporena, ao final do
inverno.
Os últimos anos de sua vida foram de expiação.
Uma enfermidade grave e dolorosa a deixou imóvel sobre sua humilde cama de palha
durante quatro anos.
Ela observou como seu corpo se consumia com paz e confiança em Deus.
As Rosas de Santa Rita
Durante a enfermidade, a pedido seu lhe apresentaram algumas rosas que haviam
brotado de maneira prodigiosa no frio inverno em sua horta de Rocaporena.
Ela as aceitou sorrindo como um dom de Deus.
Morte da Santa
Santa Rita percorreu o caminho da perfeição, a via purgativa, a iluminativa e
unitiva.
Conheceu o sofrimento e em tudo cresceu em caridade e confiança em Deus.
O crucifixo é seu melhor Mestre.
"Chegou o tempo, minhas queridas irmãs, de sair deste mundo.
Deus assim o quer.
Muito vos ofendi por não vos ter amado e obedecido como era de minha obrigação;
com toda minha alma vos peço perdão de todas as negligências e descuidos.
Reconheço que vos tenho molestado por causa desta ferida da fronte; rogo-vos que
tenhais piedade das minhas fragilidades.
Perdoai minhas ignorâncias e rogai a Deus por mim, para que minha alma alcance a
paz e a misericórdia da clemência divina..."
Cessou de falar e cerrou os olhos como se estivesse dormindo... e acordou no céu
entre os anjos e santos.
No convento só se ouviam os soluços das freiras, mas o sino começou a tocar
sozinho, anunciando a sua partida deste mundo.
Era o dia 22 de maio de 1457 e contava a santa 76 anos de idade.
Era o fim de uma vida cheia de sofrimentos.
As religiosas pensavam com horror no odor fétido de sua chaga, mas o seu rosto
pálido começou a tomar viva cor, a ferida cicatrizou-se e de seu corpo começou a
exalar um delicioso perfume.
Uma das religiosas, Catarina Mancini, que tinha um braço paralítico, quis
abraçá-la e assim o fez, porque o seu braço ficou curado pela santa. As freiras
revestiram o corpo com o hábito de sua Ordem e o transportaram para a capela
interior do mosteiro.
É em almas puras como a dela que Deus pode fazer milagres sem que porisso caiam
no orgulho espiritual.
Ao morrer a cela se ilumina e todos sentem a alegria de uma alma que entra ao
céu.
Sua morte acontece em 1457, foi seu triunfo.
A ferida do estigma na fronte desapareceu e em lugar apareceu uma mancha
vermelha como um rubi, a qual tinha uma deliciosa fragrância.
Devia ter sido velada no convento, mas pela multidão tão grande se necessitou a
Igreja.
Permaneceu ali e a fragrância nunca desapareceu até os dias atuais permanece, e
a todos encanta.
Por isso, nunca a enterraram.
O ataúde de madeira que tinha originalmente foi trocado por um de cristal e
ficou exposta para veneração dos fiéis desde então.
Multidões, todavia acodem em peregrinação a honrar a santa e pedir sua
intercessão ante seu corpo que permanece incorrupto.
Leão XIII a canonizou em 1900.
Santa Rita, rogai por nós.
Grandes de Milagres
Em Pergola, lugarejo da Umbria, havia um casa pertencente a uma das mais
ilustres famílias da Itália, que, pela grande devoção que tinha a Santa Rita,
lhe fazia tosos os anos a festa na igreja de Santo Agostinho.
Estavam casados há mais de dezoito anos, mas viviam tristes porque não tinham
filhos.
Recorreram a Santa Rita com fervorosas súplicas, para que lhes alcançasse de
Deus o que lhe pediam.
O Senhor atendeu a suas orações, dando-lhes dois filhos, que foram a consolação
dos pais e a honra da família.
Na cidade de Valença, no ano de 1688, Santa Rita resistituiu a visão a uma
menina cega de nascimento, no fim de uma novena que os pais da criança lhe
fizeram.
A Bernardino, filho de Tibério, restituiu Santa Rita a visão de um dos olhos,
que tinha perdido por causa de uma ferida: entrando no sepulcro da Santa, saiu
livre do mal que padecia.
Uma mulher nobre, chamada Mateia de César, natural de Rocha, que era surda-muda
desde a sua primeira idade, fez uma promessa a Santa Rita. Pois bem, passou a
ouvir e logo falou.
Francisca, natural de Fucella, surda de cinco anos, pela intercessão de Santa
Rita conseguiu ouvir, só por lhe rezar três Ave-Marias.
No ano de 1457 um homem, natural de Ocone, tremendamente aflito de pedras nos
rins, recorreu a Santa Rita e logo se viu livre de tão penoso mal.
A mãe da menina Josefa Maria prometeu a Santa Rita vestir-lhe um hábito igual ao
da Santa, se a livrasse de um terrível mal do coração. Concedeu-lhe a Santa
imediatamente a graça.
Venúncio de Santi, aleijado de um braço, levou um braço de cera ao sepulcro da
Santa e ficou livre do mal.
Não é menor a graça que recebeu uma criança chamada Ana, cuja garganta foi
atravessada por um alfinete, que lhe impedia a respiração. Sendo-lhe aplicada
com grande fé uma estampa da Santa , no mesmo tempo expeliu o alfinete pela
boca.
Lúcia tinha um filho de pés e mãos entrevados, havia muitos anos: untou-os com
azeite da lâmpada de Santa Rita e invocou o seu patrocínio; pois levantou-se o
menino completamente são.
No grande terremoto, que sofreram alguns lugares da Itália, em 12 de maio de
1730, contam que o corpo de Santa Rita levantou-se da urna em que estava e,
suspenso no ar por espaço de várias horas, reprimiu o golpe do espantoso
terremoto, que na cidade de Cássia não passou de ameaça.
Este fato foi confirmado pelo bispo do lugar e divulgado por toda a Europa.
Estas maravilhas e outras muitas estão arroladas no processo de beatificação de
Santa Rita de Cássia.
Outra espantoso fato ocorrido foi quando o Superior da Ordem Augostiniana foi
visitar o corpo de Santa Rita, e o corpo se levantou da urna estando suspenso no
ar em sinal de respeito ao Superior da Ordem

Oração
Prece do fortalecimento da fé
Deus, nosso Pai, diante
da falta de fé de seus discípulos, Jesus, vosso Filho, disse um dia: Tende fé
em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ergue-te e
lança-te ao mar, e não duvidar no coração, mas crer que o que diz se realiza,
assim lhe acontecerá. Por isso vos digo: tudo quanto suplicardes e pedirdes,
crede que recebestes, e assim será para vós. E quando estiverdes orando, se
tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai
que está nos céus vos perdoe as vossas ofensas (Marcos 11,22ss.). Por
intercessão de Santa Rita, advogada das causas perdidas e a santa das coisas
impossíveis, aumentai e fortalecei em nós o dom da fé. E quando estivermos
confusos, temerosos, aflitos e desesperados, quando julgarmos tudo perdido,
acendei em nossos corações a chama da confiança pois Deus é fiel, sua Palavra
é eficaz e jamais decepciona.
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